O que significa a rejeição 629?
A rejeição 629 indica que o valor total do produto (vProd) informado na NF-e não corresponde ao resultado da multiplicação entre o valor unitário de comercialização (vUnCom) e a quantidade comercial (qCom). Em outras palavras, a matemática básica da nota não fecha.
Essa verificação é realizada automaticamente no momento da autorização e não depende de análise subjetiva do Fisco: trata-se de uma regra de consistência aritmética.
Divergência matemática entre preço unitário, quantidade e total
Na estrutura da NF-e, o valor do produto deve obedecer à seguinte lógica:
vProd = vUnCom × qCom
Quando o valor total informado não corresponde exatamente a esse cálculo (considerando as regras de arredondamento previstas), a nota é rejeitada com o código 629. Mesmo diferenças mínimas, de centavos ou decorrentes de casas decimais, podem gerar a rejeição.
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Regra de validação obrigatória definida pela Sefaz
A rejeição 629 decorre de uma regra de validação obrigatória, prevista no layout da NF-e e aplicada uniformemente pelas Secretarias de Fazenda. Isso significa que:
- não há margem de tolerância discricionária;
- a nota não pode ser autorizada enquanto a inconsistência persistir;
- o erro deve ser corrigido antes de uma nova tentativa de envio.
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Por que a rejeição 629 acontece?
Embora a causa seja sempre matemática, a rejeição 629 costuma ter origem em problemas operacionais ou de parametrização dos sistemas.
Arredondamentos incorretos em operações com muitas casas decimais
Um dos motivos mais comuns é o arredondamento inadequado de valores unitários com muitas casas decimais.
Quando o sistema arredonda o valor unitário de forma diferente do total ou calcula o total com base em critérios distintos dos campos individuais, o resultado pode divergir do valor esperado pela SEFAZ.
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Erros de integração entre ERP e emissor
Em ambientes integrados, é comum que:
- o ERP calcule o valor do item de uma forma;
- o emissor de NF-e recalcule os campos de outra forma.
Essa falta de uniformidade entre sistemas pode gerar divergências automáticas entre vProd, vUnCom e qCom, resultando na rejeição 629.
Divergência entre quantidade tributável e quantidade comercial
Outro fator relevante é a confusão entre:
- quantidade comercial (qCom);
- quantidade tributável (qTrib).
Quando essas quantidades possuem unidades de medida ou fatores de conversão distintos e não estão corretamente parametrizadas, o valor total pode ser calculado de forma inconsistente.
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Como corrigir a rejeição 629 na prática
A correção da rejeição 629 exige a revisão cuidadosa dos campos envolvidos no cálculo do valor do produto.
Revisar campos vProd, qCom e vUnCom
O primeiro passo é conferir se:
- o valor unitário (vUnCom) está correto;
- a quantidade comercial (qCom) reflete a operação real;
- o valor total do produto (vProd) corresponde exatamente à multiplicação desses dois campos.
A correção deve sempre partir da regra matemática, e não apenas do ajuste manual do valor total.
Confira depois: “Modelo de nota fiscal com IBS e CBS: o que muda na emissão dos novos tributos“.
Ajustar regras de arredondamento no sistema
É fundamental que o sistema emissor esteja configurado para:
- aplicar arredondamento conforme o layout da NF-e;
- utilizar o mesmo critério de cálculo para todos os campos relacionados ao item.
Padronizar o arredondamento evita diferenças residuais que levam à rejeição.
Verificar inconsistências de unidade de medida e fator de conversão
Quando há conversão entre unidades (por exemplo, caixa e unidade), é indispensável verificar:
- se o fator de conversão está correto;
- se as quantidades comercial e tributável estão coerentes;
- se o valor unitário corresponde à unidade informada.
Inconsistências nesses pontos costumam gerar rejeições recorrentes.
Se atualize e evite: “5 erros na emissão de notas fiscais durante a transição da Reforma Tributária“.
Como prevenir a rejeição 629 em emissões futuras?
Além da correção pontual, é recomendável adotar medidas preventivas para evitar a repetição do erro.
Parametrização correta de produtos no cadastro
Manter o cadastro de produtos atualizado, com:
- unidades de medida corretas;
- fatores de conversão validados;
- valores unitários compatíveis com a prática comercial.
Essa boa prática reduz significativamente o risco de divergências matemáticas na emissão da NF-e.
Veja também: “Como preparar o emissor de notas fiscais para a Reforma Tributária em 2026“.
Auditoria de notas antes do envio automático
A adoção de rotinas de validação prévia das notas fiscais antes do envio à SEFAZ permite identificar inconsistências de cálculo antecipadamente, evitando rejeições e retrabalho, especialmente em operações de alto volume.
Não deixe de conferir: “Armazenamento do XML: quando fazer e prazos“.
Conclusão: precisão matemática como requisito fiscal obrigatório
A Rejeição 629 evidencia que, na emissão de NF-e, a precisão matemática não é apenas uma boa prática, mas um requisito fiscal obrigatório. Pequenas divergências entre valor unitário, quantidade e total são suficientes para impedir a autorização da nota.
Por isso, a correta parametrização de sistemas, o alinhamento entre ERP e emissor, e o controle rigoroso de arredondamentos são medidas essenciais para garantir conformidade fiscal, eficiência operacional e segurança na emissão de documentos eletrônicos.



