O Imposto Seletivo muda o XML?

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Com a Reforma Tributária se aproximando da fase de implementação, muitos profissionais da área fiscal e contábil têm uma dúvida essencial: o Imposto Seletivo vai mudar a estrutura do XML da nota fiscal?

A resposta é sim, e por um motivo simples: o XML será o principal meio de registro e fiscalização do novo tributo. Assim como já acontece com ICMS, IPI e PIS/Cofins, o Imposto Seletivo (IS) exigirá campos específicos no documento fiscal eletrônico para que o Fisco consiga rastrear, validar e controlar a cobrança de forma automática.

O que é o Imposto Seletivo e qual sua finalidade?

O Imposto Seletivo (IS) foi criado na Reforma Tributária com uma função clara: desestimular o consumo de produtos e serviços considerados prejudiciais à saúde pública ou ao meio ambiente.

Diferente de tributos como o IBS ou CBS, que visam arrecadar, o IS tem um caráter extrafiscal.

Natureza extrafiscal do IS

A natureza extrafiscal significa que o objetivo principal do IS não é arrecadar dinheiro para os cofres públicos, mas sim regular comportamentos econômicos. Ou seja, o tributo é usado como instrumento de política pública.

Essa lógica já existe no Brasil com o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), que tem alíquotas maiores para produtos como cigarros e bebidas alcoólicas. Agora, com a criação do IS, essa função regulatória será reforçada e reorganizada de forma mais clara dentro do novo sistema tributário.

Produtos e atividades potencialmente atingidos

A lista definitiva de produtos sujeitos ao IS ainda depende de regulamentações, mas o texto da Reforma e as discussões legislativas indicam que serão atingidos:

  • Produtos nocivos à saúde, como cigarros, bebidas alcoólicas, alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas;
  • Produtos que impactam o meio ambiente, como veículos com alta emissão de CO₂ ou embalagens plásticas não recicláveis;
  • Jogos de azar e apostas eletrônicas, caso sejam legalizados;
  • Armas e munições, com tributação diferenciada.

Esses produtos, ao serem vendidos, precisarão ter o Imposto Seletivo destacado no XML da nota fiscal, o que impacta diretamente a emissão e validação desses documentos

Leia também: “Imposto Seletivo: qual o motivo da sua criação?”. 

O XML precisa refletir a incidência do Imposto Seletivo?

Sim. Assim como já ocorre com tributos como ICMS, IPI, PIS e Cofins, o Imposto Seletivo (IS) deverá constar obrigatoriamente no XML da nota fiscal eletrônica quando for aplicável à operação.

Com a chegada do IS, o XML se torna ainda mais importante no contexto da fiscalização digital, funcionando como instrumento oficial de apuração, validação e cruzamento de dados pelo Fisco. Isso exige atenção máxima das empresas emissoras de NF-e, NFS-e ou NFC-e.

O papel do XML na rastreabilidade do tributo

O XML é o arquivo digital que contém todas as informações fiscais da nota. Ele é transmitido aos sistemas da Receita e das Secretarias de Fazenda, servindo como base para:

  • Calcular o imposto devido;
  • Controlar as operações realizadas pelas empresas;
  • Gerar relatórios para os entes federativos.

No caso do Imposto Seletivo, o XML será fundamental para a rastreabilidade, permitindo que o Fisco acompanhe:

  • Quais produtos sujeitos ao IS foram vendidos;
  • Em que quantidade;
  • Qual foi o valor do tributo aplicado;
  • Qual o destino da mercadoria.

Ou seja, a correta escrituração do IS no XML será a única forma de comprovar que a operação foi tributada corretamente. Qualquer omissão ou erro pode gerar autuações.

Relação entre XML e fiscalização eletrônica

Com a digitalização crescente do sistema tributário, a fiscalização deixou de depender exclusivamente de auditorias presenciais e passou a operar com cruzamentos automáticos de dados eletrônicos.

No caso do IS, os órgãos de fiscalização poderão usar o XML para:

  • Verificar se o produto vendido está sujeito ao Imposto Seletivo;
  • Conferir se o valor informado corresponde à base legal;
  • Checar se há consistência entre o produto, o NCM e a tributação declarada;
  • Identificar discrepâncias entre as notas emitidas e as obrigações acessórias.

Isso significa que o XML será o principal ponto de contato entre empresa e Fisco no que diz respeito ao Imposto Seletivo. Portanto, a precisão no preenchimento e atualização dos sistemas emissores de nota será essencial.

Leia também: “Arquivo XML: tudo sobre o documento fiscal obrigatório”. 

Quais informações do Imposto Seletivo devem constar no XML?

Com a criação do Imposto Seletivo (IS), o XML da nota fiscal precisará refletir com precisão todas as informações relacionadas a esse novo tributo, especialmente nos casos em que ele incide sobre produtos ou operações específicas.

A estrutura do XML será adaptada para receber novos campos ou aproveitar campos já existentes, dedicados a indicar os detalhes da cobrança do IS, garantindo a correta apuração e a rastreabilidade fiscal.

Base de cálculo e valor do imposto

Assim como outros tributos destacados na nota fiscal, o IS precisará apresentar no XML:

  • Base de cálculo do Imposto Seletivo: Refere-se ao valor sobre o qual será aplicada a alíquota do IS. Essa base pode ser o valor da operação, o volume de produto (em litros, quilos, unidades), ou outro critério definido por lei, dependendo do tipo de produto.
  • Alíquota aplicável ao IS: Ainda será definida por legislação complementar, mas deverá variar conforme o tipo de produto e seu impacto ambiental ou sobre a saúde pública.
  • Valor do Imposto Seletivo devido: Resultado da multiplicação da base de cálculo pela alíquota. Esse valor será destacado no XML e servirá de base para o recolhimento do tributo.

Importante: A forma de apuração pode variar entre produtos por exemplo, no caso de cigarros ou bebidas alcoólicas, o IS pode adotar um modelo de cobrança por unidade, e não apenas percentual.

Identificação de produtos sujeitos ao IS

Para que o XML informe corretamente a incidência do Imposto Seletivo, é necessário identificar com clareza quais produtos estão sujeitos a essa tributação. Isso exige o preenchimento correto de:

NCM e enquadramento fiscal

O código NCM é obrigatório em todas as notas fiscais de mercadorias e será um dos principais critérios de verificação para saber se um item está sujeito ao IS.

  • O Fisco utilizará o NCM informado no XML para validar a aplicação do Imposto Seletivo.
  • Erros ou omissões nesse campo podem impedir a correta apuração e gerar autuações.

Enquadramento fiscal

Além do NCM, o XML poderá contar com campos específicos para indicar o código de enquadramento no Imposto Seletivo, que será definido pela legislação complementar da Reforma Tributária.

Esse código servirá como um “sinalizador” para os sistemas do Fisco, apontando:

  • Que a operação está sujeita ao IS;
  • Qual o tipo de produto ou atividade enquadrada;
  • A base legal utilizada para a tributação.

Atenção: A correta parametrização dessas informações no emissor de notas fiscais será crucial. Sistemas desatualizados ou com cadastro incompleto podem gerar inconsistências que levam à rejeição da nota, perda de crédito tributário ou multa por erro fiscal.

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O Imposto Seletivo afeta o layout do XML?

Sim, a implementação do Imposto Seletivo (IS) impacta diretamente o layout do XML das notas fiscais eletrônicas. Assim como aconteceu com tributos anteriores (como ICMS, PIS e Cofins), o novo imposto precisa estar claramente identificado no arquivo XML, que é a versão oficial e digital da nota fiscal enviada ao Fisco.

Essas mudanças têm como objetivo garantir que o IS seja apurado de forma automatizada, transparente e auditável, dentro da lógica da nova Reforma Tributária.

Inclusão de novos campos x reutilização de campos existentes

O novo modelo de nota fiscal com CBS, IBS e IS está sendo desenvolvido com base na necessidade de modernização do layout do XML, mas também com preocupação em preservar o que ainda funciona.

Dois caminhos estão sendo analisados pelos órgãos responsáveis:

  • Inclusão de novos campos específicos para o Imposto Seletivo, dedicados exclusivamente ao detalhamento do tributo no XML, como:
    • Código de enquadramento no IS;
    • Alíquota aplicável;
    • Valor total do imposto;
    • Tipo de incidência (por valor, volume ou unidade);
  • Reutilização de estruturas já existentes no XML, adaptando campos genéricos de tributos para acomodar as informações do IS, assim como ocorre com ICMS ou IPI, o que pode simplificar a adoção por parte das empresas.

Importante: A escolha entre adicionar ou reaproveitar campos depende do Comitê Gestor e das Secretarias de Fazenda, que estão desenvolvendo o novo layout da NF-e (provavelmente em versão beta ainda em 2025).

Impactos na validação da nota fiscal

Toda vez que o layout do XML é alterado, o processo de validação da nota fiscal também muda. Isso porque o sistema da SEFAZ (Secretaria da Fazenda) faz uma checagem automática de todas as informações presentes no XML antes de autorizar a emissão.

Com o IS, essas validações vão incluir:

  • Conferência da base de cálculo e alíquota do IS conforme o NCM do produto;
  • Verificação da coerência entre o enquadramento fiscal e o código CFOP;
  • Validação do cálculo final do valor do Imposto Seletivo;
  • Rejeição automática de notas com campos obrigatórios em branco ou inconsistentes.

Consequência prática: Se o layout do XML não estiver devidamente atualizado ou se os dados forem inseridos de forma incorreta, a nota fiscal será rejeitada, impedindo a venda e atrasando o faturamento da empresa.

Leia também: “Modelo de nota fiscal com IBS e CBS: o que muda na emissão dos novos tributos”. 

Como erros no XML podem gerar autuações

Com a chegada do Imposto Seletivo (IS) e a centralidade do XML na apuração tributária digital, erros no preenchimento da nota fiscal eletrônica ganham ainda mais peso.

Isso porque o Fisco não depende mais apenas de declarações periódicas: ele acessa diretamente os dados das notas fiscais em tempo real e cruza essas informações com outras fontes oficiais.

Se houver inconsistência ou omissão no XML, a empresa corre sérios riscos de autuações fiscais, perda de crédito tributário e até bloqueios operacionais.

Inconsistências fiscais e cruzamento de dados

Hoje, os sistemas de fiscalização eletrônica utilizam o SPED (Sistema Público de Escrituração Digital), os arquivos XML da NF-e, declarações acessórias e até dados de pagamento eletrônico para verificar se a empresa está recolhendo corretamente os tributos devidos.

Com o IS, isso se intensifica. O Fisco fará cruzamentos automáticos como:

  • Produto com NCM sujeito ao IS, mas sem destaque do imposto no XML;
  • Base de cálculo ou alíquota divergente das previstas na legislação;
  • CFOP incompatível com a aplicação do Imposto Seletivo;
  • Repetição de erro em várias notas, indicando falha sistêmica.

Essas situações podem gerar alertas automáticos nos sistemas das SEFAZ estaduais e federais, resultando em notificações ou autuações.

Risco de multas e penalidades

Quando há erros no XML relacionados ao Imposto Seletivo, as penalidades podem envolver:

  • Multas por informação incorreta ou omissa, previstas no Código Tributário Nacional (CTN);
  • Glosa de crédito tributário, quando a nota com erro é usada para compensação;
  • Autuações por recolhimento a menor, com cobrança retroativa, juros e correção;
  • Impedimento de emissão de novas notas fiscais, em casos graves de reincidência;
  • Risco de questionamento jurídico, caso a empresa insista na validação de documentos fiscais com erros estruturais.

Atenção: o XML é o único documento com valor jurídico e fiscal na nota eletrônica. O DANFE (versão impressa ou

Saiba mais sobre o assunto em: “O que é Danfe e XML: conheça os documentos essenciais para o registro fiscal”. 

Perguntas frequentes sobre Imposto Seletivo e XML

1. Todo produto terá Imposto Seletivo no XML?

Não. O Imposto Seletivo (IS) incidirá apenas sobre produtos e atividades específicos definidos em lei, com base em critérios como:

  • Impacto ambiental;
  • Danos à saúde pública;
  • Consumo de luxo ou supérfluo.

A maior parte dos produtos e serviços não será afetada. Portanto, o destaque do IS no XML somente será exigido quando o item comercializado constar nas tabelas de incidência divulgadas pelo governo federal.

Importante: o NCM (Código Nomenclatura Comum do Mercosul) será o principal identificador no XML para indicar se há ou não incidência do IS.

2. O IS gera direito a crédito?

Depende da regulamentação final. Até o momento, o texto da Reforma Tributária indica que o Imposto Seletivo não seguirá a lógica da não cumulatividade adotada para o IBS e a CBS.

Ou seja, o IS não gera crédito tributário para quem adquire produtos com esse imposto embutido. Isso reforça o caráter extrafiscal do tributo, que busca desincentivar o consumo de determinados itens, e não arrecadar com base em cadeia produtiva.

3. O DANFE mostrará o Imposto Seletivo?

Sim, mas de forma simplificada. O DANFE (Documento Auxiliar da Nota Fiscal Eletrônica) é uma representação gráfica da nota fiscal eletrônica e deve exibir:

  • O valor do Imposto Seletivo;
  • A base de cálculo utilizada;
  • A alíquota aplicada (quando aplicável).

Contudo, o XML da NF-e continuará sendo o documento oficial com validade jurídica e técnica, onde os campos específicos do IS serão validados pelas SEFAZ e sistemas de apuração.

4. Quando o IS passa a valer na emissão das notas?

O Imposto Seletivo deve começar a ser exigido a partir de 2026, seguindo o cronograma de transição da Reforma Tributária.

O destaque no XML será obrigatório assim que os produtos sujeitos ao IS forem definidos por lei complementar e os novos campos forem implantados nos sistemas emissores e nas SEFAZ.

Fique atento: as empresas que operam com produtos possivelmente afetados (como bebidas, cigarros, combustíveis e veículos) devem se preparar antecipadamente, atualizando cadastros, regras fiscais e validadores do XML.

Saiba mais sobre em: “A Reforma Tributária e o impacto na emissão de NF-e”. 

Conclusão: XML como base do controle do Imposto Seletivo

Com a chegada do Imposto Seletivo (IS) no contexto da Reforma Tributária, o XML da nota fiscal eletrônica ganha ainda mais protagonismo como ferramenta de controle fiscal, rastreabilidade e conformidade.

A correta inserção das informações sobre o IS no XML como base de cálculo, valor do imposto e identificação dos produtos tributados, será essencial para:

  • Evitar erros na apuração e no recolhimento do tributo;
  • Reduzir riscos fiscais, como multas e autuações;
  • Garantir a transparência das operações comerciais;
  • Atender aos critérios de fiscalização eletrônica dos fiscos federal, estaduais e municipais.

Além disso, a implementação do IS reforça o movimento de digitalização tributária, exigindo que empresas atualizem seus sistemas emissores de notas, parametrizem corretamente seus cadastros fiscais e adotem rotinas de conferência automatizadas.

Para manter a conformidade, é fundamental que os profissionais da área fiscal estejam atentos às normas técnicas do XML, ao cronograma de transição da Reforma e às atualizações promovidas pelo governo e pelo Comitê Gestor dos novos tributos.

O XML não é apenas um arquivo técnico, é a base do novo sistema tributário digital do Brasil.

Entenda os principais termos da Reforma Tributária agora! Leia: “Glossário da Reforma Tributária: os principais termos explicados”.

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