Imposto Seletivo na nota fiscal: quem precisa destacar e como funciona

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A Reforma Tributária aprovada em 2023 trouxe três novos tributos para substituir o sistema atual: a CBS, o IBS e o Imposto Seletivo (IS).

E entre eles, o IS se destaca por uma característica única: não tem como principal objetivo arrecadar, mas sim desestimular o consumo de determinados produtos e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.

Com essa nova realidade, muitas dúvidas surgem sobre como o Imposto Seletivo será aplicado na prática, especialmente na emissão de notas fiscais. Afinal, quem precisa destacar o IS no documento fiscal? O tributo aparecerá no XML? Como ele afeta a apuração e o cumprimento das obrigações?

O que é o Imposto Seletivo?

O Imposto Seletivo (IS) é um novo tributo criado pela Reforma Tributária (EC 132/2023) com foco em bens e serviços considerados nocivos à saúde pública ou ao meio ambiente.

Ele será regulamentado por lei complementar, e sua cobrança será direcionada a itens específicos como cigarros, bebidas alcoólicas, veículos poluentes, entre outros.

Finalidade extrafiscal

Diferente de tributos clássicos como ICMS ou ISS, o IS tem natureza extrafiscal. Isso significa que ele não tem como objetivo principal arrecadar recursos, mas sim influenciar o comportamento da sociedade, tornando certos produtos menos atrativos pelo aumento do custo final.

A lógica é semelhante ao IPI seletivo que já incide sobre cigarros e bebidas, mas com abrangência maior e alcance mais estratégico dentro da cadeia econômica.

O IS também está alinhado com políticas públicas de sustentabilidade, saúde e responsabilidade social, o que o torna mais do que um simples imposto é um instrumento de regulação de mercado.

Diferença em relação aos demais tributos

Entre os principais pontos que diferenciam o IS dos tributos como IBS e CBS, estão:

  • Tributação em cascata: o IS não adota a não cumulatividade, ou seja, não gera créditos tributários;
  • Incidência única: geralmente incidirá uma única vez na cadeia, possivelmente na industrialização ou importação;
  • Critério extrafiscal: a base de cálculo e a alíquota serão definidas com base em critérios sociais e ambientais, e não apenas econômicos.

Essas diferenças tornam o Imposto Seletivo um tributo de aplicação mais complexa, exigindo cuidado redobrado na emissão da nota fiscal e no cálculo do tributo.

Saiba mais sobre os novos tributos da Reforma Tributária em: “Reforma tributária: CBS, IBS, Imposto Seletivo (IS) e novas alíquotas”. 

Quem está sujeito ao Imposto Seletivo?

O Imposto Seletivo (IS) não será aplicado a todas as empresas ou produtos, mas sim àquelas operações que envolvem itens considerados prejudiciais à saúde pública ou ao meio ambiente.

A sua aplicação será setorial e seletiva, conforme definido por legislação complementar que regulamentará a Reforma Tributária.

Dessa forma, entender quais produtos e atividades estarão sujeitos ao IS é essencial para preparar sistemas fiscais, ajustar preços e evitar riscos de autuação.

Produtos e atividades afetadas

De acordo com os debates em torno da Reforma e os modelos internacionais de impostos semelhantes, os principais produtos e setores que deverão ser impactados pelo Imposto Seletivo incluem:

  • Cigarros e derivados do tabaco;
  • Bebidas alcoólicas (cerveja, vinho, destilados);
  • Bebidas açucaradas ou ultraprocessadas (como refrigerantes e energéticos);
  • Veículos automotores com alta emissão de CO₂ (veículos a combustão com baixa eficiência);
  • Armas de fogo e munições (com exceções previstas na Constituição);
  • Produtos poluentes ou que geram resíduos perigosos.

Esses produtos serão definidos com base em critérios de impacto social e ambiental, levando em conta diretrizes de saúde pública, sustentabilidade e bem-estar coletivo.

Importante: a lista exata será definida por lei complementar, e pode variar ao longo do tempo, conforme decisões técnicas e políticas.

Cadeias produtivas impactadas

Ainda que o IS incida diretamente sobre a produção, importação ou comercialização dos produtos finais, toda a cadeia produtiva poderá sentir os reflexos do tributo, inclusive:

  • Fabricantes e importadores, que serão os responsáveis diretos pelo recolhimento do IS e pelo destaque correto na nota fiscal;
  • Distribuidores e atacadistas, que deverão informar adequadamente os valores nas NF-es, mesmo que o IS não seja recolhido nessa etapa;
  • Varejistas, que podem ter impacto na formação de preços, repassando o valor do tributo ao consumidor final;
  • Empresas de logística ou prestação de serviços especializados, no caso de produtos que exijam transporte ou manuseio específico.

Além disso, os sistemas de emissão de nota fiscal, ERPs e plataformas fiscais precisarão estar atualizados para identificar automaticamente os itens sujeitos ao IS, aplicando corretamente os campos no XML.

Dica prática: mantenha seu cadastro de produtos sempre atualizado com base no NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul), pois ele será uma das chaves para identificar se há ou não incidência de I

Leia também: “Imposto Seletivo (IS): quais são os setores e produtos afetados?”. 

Como o Imposto Seletivo deve aparecer na nota fiscal?

Com a implementação da Reforma Tributária, o Imposto Seletivo (IS) passa a ser mais um tributo a ser destacado na nota fiscal. Assim como o ICMS, PIS, COFINS e os novos IBS e CBS, o IS deverá ser informado claramente no documento fiscal, tanto para o Fisco quanto para o destinatário da operação.

A forma como esse tributo será exibido envolve dois aspectos principais: o destaque no documento fiscal (visível) e a estrutura interna do XML (tecnicamente analisada pelo sistema da Sefaz).

Destaque do tributo no documento

O Imposto Seletivo precisa ser visível na nota fiscal eletrônica, seja ela NF-e (mercadorias) ou NFS-e (serviços impactados, se for o caso). Isso garante transparência tributária e facilita a conferência por parte do cliente e do Fisco.

No documento, é esperado que o IS seja apresentado com:

  • Base de cálculo do imposto;
  • Alíquota aplicada;
  • Valor total do IS;
  • Código ou indicativo da incidência, conforme regras fiscais estabelecidas.

Além disso, esse destaque permitirá que a contabilidade da empresa registre corretamente o valor do tributo e, se aplicável, avalie os impactos na formação de preços.

Atenção: embora o IS não seja cumulativo nem gere crédito tributário na maioria dos casos, ele precisa constar na nota para que sua cobrança seja legal e fiscalmente válida.

Reflexos no XML

Mais importante ainda do que o visual do DANFE (Documento Auxiliar da Nota Fiscal Eletrônica), o XML da nota fiscal é o que valida juridicamente a operação e permite que o Fisco apure eletronicamente os tributos.

Com a chegada do Imposto Seletivo, o layout do XML será ajustado para incluir novos campos, como:

  • Identificação do tributo como “IS” ou código específico;
  • Base de cálculo do IS, conforme o tipo de produto ou serviço;
  • Alíquota aplicável, determinada por lei complementar;
  • Valor calculado do IS, com base na operação;
  • Informações complementares sobre produto, NCM e tipo de operação.

Essas informações serão lidas automaticamente pelos sistemas da Receita, que cruzarão os dados para verificar a conformidade tributária da empresa.

Dica técnica: mantenha seu emissor de NF-e atualizado com as últimas versões do layout XML, e trabalhe com validações automáticas no seu ERP ou software fiscal.

Leia também: “Modelo de nota fiscal com IBS e CBS: o que muda na emissão dos novos tributos”. 

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O Imposto Seletivo gera crédito tributário?

Regra geral

Diferente do IBS e da CBS, o Imposto Seletivo (IS) não segue a lógica da não cumulatividade. Isso significa que ele não gera crédito tributário, mesmo quando incidente em operações anteriores da cadeia produtiva.

Essa regra está ligada à finalidade extrafiscal do IS. O objetivo desse tributo é desestimular o consumo ou a produção de determinados bens e serviços — como cigarros, bebidas alcoólicas ou produtos com elevado impacto ambiental ou à saúde.

Portanto, mesmo que o IS seja pago na compra de um insumo, esse valor não poderá ser creditado na operação seguinte. Ele se comporta de forma mais próxima a um imposto “em cascata”, como o IPI em certos casos.

Isso torna o planejamento fiscal ainda mais importante, principalmente para empresas que atuam em setores impactados.

Impactos na formação de preços

Como o Imposto Seletivo não gera crédito, ele tende a aumentar o custo efetivo das operações, o que impacta diretamente na precificação dos produtos.

Empresas precisam:

  • Recalcular margens de lucro considerando a incidência do IS;
  • Avaliar estratégias de repasse do imposto no preço final;
  • Garantir que o destaque correto na nota fiscal evite problemas com o Fisco e com o consumidor.

Além disso, a clareza na comunicação com os clientes será essencial, especialmente em segmentos sensíveis a variações de preço.

Saiba mais sobre crédito tributário em: “Como ficará o crédito de imposto na Reforma Tributária?”. 

Cuidados na emissão para evitar autuações

Com a entrada em vigor do IS, a correta emissão da nota fiscal será um dos principais pontos de atenção para evitar autuações fiscais.

Classificação correta do produto

O Imposto Seletivo incidirá apenas sobre determinados produtos ou serviços. A identificação correta do que está sujeito ao tributo depende de:

  • Classificação fiscal (NCM) dos itens;
  • Descrição técnica adequada no cadastro de produtos;
  • Monitoramento das listas oficiais de incidência do IS, que serão atualizadas por legislação complementar.

Um erro na classificação pode levar a cobrança indevida, falta de recolhimento ou multas por omissão.

Parametrização fiscal

O sistema emissor de notas precisa estar totalmente preparado para tratar o IS, incluindo:

  • Cálculo automático com base nas regras atualizadas;
  • Regras específicas por produto, operação e destino;
  • Geração do XML com os campos corretos para o Imposto Seletivo;
  • Integração com o cadastro de produtos e a contabilidade fiscal.

Isso exige alinhamento entre os times de TI, contabilidade e fiscal, além de sistemas atualizados.

Saiba mais sobre em: “A Reforma Tributária e o impacto na emissão de NF-e”. 

Perguntas frequentes sobre Imposto Seletivo na nota fiscal

1. O IS é obrigatório para todas as empresas?

Não. O Imposto Seletivo só será obrigatório para empresas que comercializam, produzem ou importam bens e serviços sujeitos ao IS, conforme definido por lei.

Empresas que não atuam com esses produtos não precisarão destacar o tributo na nota fiscal nem recolhê-lo. O imposto tem incidência restrita e extrafiscal, ou seja, não faz parte da tributação geral da CBS e do IBS.

Importante: o governo divulgará listas de produtos e NCMs sujeitos ao IS. Empresas devem acompanhar essas atualizações.

2. O Imposto Seletivo substitui outros tributos?

Não. O IS não substitui tributos como PIS, Cofins, ICMS ou ISS. Ele será um imposto adicional, aplicado especificamente sobre itens considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, como:

  • Cigarros e derivados do tabaco
  • Bebidas alcoólicas
  • Produtos com alto impacto ambiental
  • Produtos com alto teor de açúcar (possivelmente)

Ou seja, o Imposto Seletivo é acumulativo aos demais tributos e não dá direito a crédito, o que aumenta seu impacto no custo total.

3. O consumidor verá o IS na nota?

Sim. Assim como outros tributos destacados na nota, o Imposto Seletivo deverá aparecer de forma clara no DANFE (Documento Auxiliar da Nota Fiscal Eletrônica).

Essa exigência tem o objetivo de garantir transparência fiscal, permitindo que o consumidor veja o peso tributário de produtos considerados nocivos.

Além disso, o destaque é importante para que:

  • O Fisco possa cruzar informações
  • Haja conformidade legal na emissão
  • A empresa evite autuações por omissão

4. Quando o destaque passa a ser exigido?

O Imposto Seletivo começará a ser aplicado durante a fase de transição da Reforma Tributária, que tem início em 2026, conforme a Emenda Constitucional nº 132/2023.

O cronograma exato da obrigatoriedade do IS na nota fiscal dependerá de:

  • Leis complementares que vão regulamentar o imposto
  • Definições técnicas do layout da nota fiscal (XML e DANFE)
  • Testes e ambiente de homologação para os sistemas emissores

Empresas devem acompanhar a regulamentação nos próximos meses e iniciar os ajustes nos emissores com antecedência.

Leia também: “Imposto Seletivo: qual o motivo da sua criação?”. 

Conclusão: destaque correto evita riscos fiscais

Com a chegada do Imposto Seletivo (IS) como parte da Reforma Tributária, o destaque correto desse tributo na nota fiscal não será apenas uma exigência técnica — será uma exigência legal com implicações diretas na conformidade fiscal das empresas.

Destacar o IS corretamente no documento fiscal e no XML será fundamental para:

  • Cumprir as novas obrigações tributárias;
  • Evitar multas por omissão ou erro no preenchimento;
  • Garantir a transparência na relação com o consumidor e o Fisco;
  • Manter a empresa preparada para a fiscalização eletrônica e cruzamento de dados.

Além disso, mesmo empresas que não serão diretamente impactadas pela incidência do IS devem acompanhar as atualizações legais, pois o enquadramento de produtos pode mudar com o tempo.

Portanto, a orientação é clara: antecipar-se à regulamentação, revisar cadastros, ajustar emissores e treinar as equipes fiscais. Em um cenário cada vez mais digital, quem se prepara com antecedência reduz riscos e ganha vantagem competitiva.

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