CFOP 1101: guia para compra de insumos industriais

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A correta aplicação do CFOP 1101 – Compra de insumos destinados à industrialização é um dos pontos mais estratégicos da gestão tributária industrial.

Esse código impacta diretamente a formação de créditos de ICMS e IPI, o controle de estoque, a conformidade com o Bloco K do SPED Fiscal e a preparação das indústrias para a Reforma Tributária que passa a produzir efeitos relevantes a partir de 2026.

O CFOP 1101 não é apenas um código operacional. Ele define se a empresa poderá ou não recuperar impostos, se o estoque digital estará coerente com a produção real e se haverá risco de autuação por inconsistência entre compras, consumo e produto acabado.

Com o avanço da fiscalização eletrônica, erros na classificação entre insumo de industrialização e mercadoria para revenda passaram a ser rapidamente identificados pelo Fisco, especialmente por meio dos cruzamentos do SPED Fiscal, do Bloco K e da NF-e.

Além disso, a transição para IBS e CBS exige que as indústrias estejam em 2026 com processos bem estruturados e dados confiáveis.

Este guia foi elaborado como um manual técnico e prático, para orientar os empreendedores, focado exclusivamente no CFOP 1101, conectando legislação, rotina industrial, controle de créditos e o novo cenário tributário brasileiro.

O CFOP 1101 é o código fiscal utilizado para registrar a entrada de mercadorias destinadas à industrialização ou produção rural dentro do mesmo estado. Ele identifica matérias-primas e insumos que passarão por transformação, garantindo que empresas do regime normal recuperem créditos de impostos essenciais, como ICMS e IPI.

O que é o CFOP 1101?

O CFOP 1101 é o código fiscal utilizado para registrar a entrada de mercadorias destinadas à industrialização ou produção rural dentro do mesmo estado.

Ele identifica matérias-primas e insumos que passarão por transformação, garantindo que empresas do regime normal recuperem créditos de impostos essenciais, como ICMS e IPI.

O ponto central desse CFOP é que o bem não será revendido no mesmo estado em que foi adquirido. Ele será consumido, incorporado ou transformado durante o processo produtivo.

Essa característica diferencia o insumo industrial da mercadoria para revenda, que utiliza, por exemplo, o CFOP 1102. A distinção não é apenas conceitual, mas profundamente fiscal, pois afeta:

  • A formação de créditos tributários
  • A escrituração do estoque
  • A apuração do custo industrial
  • A coerência do Bloco K

Classificar incorretamente uma compra como 1101 ou 1102 é um dos erros mais comuns e mais penalizados na fiscalização industrial.

Leia também: “CFOP na Reforma Tributária: o que você precisa saber”. 

O que significa o código 1101 na tabela fiscal?

Os CFOPs seguem uma estrutura lógica padronizada, definida pelo SINIEF, que permite identificar a natureza da operação apenas pela leitura e interpretação do código numérico.

No CFOP 1101, cada dígito possui função específica e impacto direto no enquadramento fiscal da operação. Compreender essa lógica é essencial para evitar erros de classificação, inconsistências no SPED e riscos de tributação indevida.

Apesar do caráter técnico, a leitura do código é simples e objetiva. Vamos desconstruí-lo passo a passo para entender exatamente o que ele representa.

1° dígito

O primeiro dígito 1 indica que se trata de uma operação de entrada, ou seja, uma compra ou aquisição registrada pelo estabelecimento.

Esse dígito diferencia entradas de saídas e define o reflexo da operação nos livros fiscais, no estoque e na apuração de créditos.

2° dígito

O segundo dígito 1 identifica que a operação é interna, ocorrendo dentro do mesmo estado.

Esse ponto é relevante para a aplicação de regras específicas de ICMS, sobretudo quando comparado a operações interestaduais, que utilizam CFOP iniciado por 2.

3° e 4° dígitos

Os dois últimos dígitos 01 qualificam a operação como compra de mercadoria destinada à industrialização.

Esse enquadramento vincula o CFOP diretamente ao conceito de industrialização, conforme definido na legislação do IPI, e ao consumo produtivo controlado pelo Bloco K.

Leia também: “Nota fiscal e SPED: qual a relação entre emissão e escrituração digital

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Quando usar o CFOP 1101 na nota de entrada?

O uso do CFOP 1101 não depende apenas do CNAE ou da atividade principal da empresa. Ele depende, sobretudo, do enquadramento jurídico da operação como industrialização, conforme definido no RIPI.

De acordo com o RIPI, considera-se industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ainda que o processo seja simples ou realizado por terceiros.

Sempre que a mercadoria ingressa no estabelecimento para ser submetida a qualquer dessas operações, o enquadramento como industrialização se torna obrigatório.

Industrialização não é apenas “fabricar algo em grande escala”. A legislação é mais ampla e técnica.

Saiba mais sobre Tributação no Destino também em: “Tributação no destino: o que isso significa?

Quais processos são considerados industrialização?

O RIPI reconhece como industrialização diversas modalidades que justificam o uso do CFOP 1101, desde que o insumo seja consumido no processo produtivo:

Transformação

Na transformação, há a obtenção de uma espécie nova, como quando uma metalúrgica transforma chapas de aço em parafusos, peças ou estruturas.

Beneficiamento

No beneficiamento, ocorre a modificação de acabamento, apresentação ou aparência, como o tingimento de tecidos, polimento, galvanização ou pintura industrial.

Montagem 

Na montagem, diferentes partes e peças são reunidas para formar um novo produto, como a montagem de máquinas, equipamentos ou painéis elétricos.

Acondicionamento

No acondicionamento, o produto é embalado de forma que viabilize sua comercialização, como o engarrafamento de bebidas ou envase industrial.

Renovação

Na renovação ou recondicionamento, um produto usado é restaurado para nova utilização ou venda, consumindo insumos no processo.

Em todas essas hipóteses, os materiais adquiridos para essas finalidades devem ser classificados com CFOP 1101.

Saiba mais: “Indústria leve: como emitir notas fiscais com insumos e transformação de produto“.

O CFOP 1101 na prática:

A compreensão teórica do CFOP 1101 só se consolida quando aplicada a situações reais da indústria.

Exemplo 1: Metalurgia e transformação de matéria-prima

Uma metalúrgica adquire chapas de aço para fabricar componentes automotivos.

Durante o processo produtivo:

  • A chapa perde sua identidade original
  • Ocorre transformação física e funcional
  • O produto final é completamente distinto

Nesse cenário, a compra das chapas deve ser registrada com CFOP 1101, pois o insumo será consumido na industrialização.

Utilizar CFOP 1102 nesse caso geraria erro grave no Bloco K, pois o estoque indicaria mercadoria para revenda sendo consumida na produção.

Exemplo 2: Produção rural e a “industrialização biológica”

Na produção rural, sementes, fertilizantes e adubos são considerados insumos de industrialização, ainda que o processo seja biológico.

Esses insumos se transformam no produto final colhido, como grãos, frutas ou cana-de-açúcar.

Por esse motivo, a legislação admite o uso do CFOP 1101 para essas aquisições, garantindo coerência entre compra, consumo e produção.

Leia também: “CFOP 5124: industrialização efetuada para outra empresa“.

Como o CFOP 1101 ajuda o caixa da sua empresa?

O CFOP 1101 tem impacto direto e positivo no caixa da empresa, porque ele é o ponto de partida para a geração legítima de créditos fiscais nas operações de industrialização.

Quando corretamente utilizado, esse CFOP evita pagamento indevido de tributos e maximiza a recuperação de créditos, melhorando o fluxo de caixa sem qualquer prática agressiva ou irregular.

Quando a entrada é classificada corretamente:

  • O insumo gera crédito
  • O imposto não vira custo
  • O valor a pagar no futuro diminui

Isso é economia real de caixa.

Em linhas gerais, o CFOP 1101 ajuda a empresa porque garante créditos fiscais, reduz o imposto pago, melhora o fluxo de caixa e evita desperdício tributário.

Classificação correta não é burocracia. É gestão de caixa.

Recuperação de ICMS e IPI em 2026

O sistema tributário brasileiro adota, para ICMS e IPI, o princípio da não cumulatividade.

Isso significa que o imposto pago na compra de insumos pode ser creditado e compensado com o imposto devido na venda do produto final.

No caso do ICMS, o direito ao crédito sobre insumos adquiridos com CFOP 1101 é regra, desde que a operação subsequente seja tributada.

No IPI, o tema ganhou ainda mais relevância com o Superior Tribunal de Justiça – Tema 1.247, que reconheceu o direito ao crédito de IPI sobre insumos, mesmo quando o produto final for isento, tributado à alíquota zero ou não tributado.

Essa decisão reforça o papel estratégico do CFOP 1101 na recuperação de créditos.

Saiba também: “Quando o ICMS será extinto?

Impacto nos regimes Lucro Real, Presumido e Simples Nacional

No Lucro Real, o CFOP 1101 é essencial para a apuração correta de créditos, do custo de produção e do resultado fiscal.

No Lucro Presumido, embora a apuração do IRPJ e da CSLL seja simplificada, o impacto do CFOP 1101 permanece relevante para ICMS, IPI e controle de estoque.

No Simples Nacional, há imitações ao aproveitamento de créditos, mas a classificação correta ainda é indispensável para evitar inconsistências fiscais e problemas no Bloco K.

Evite o “furo no estoque” e erros no Bloco K

Multas por erro de inventário, inconsistência no Bloco K e glosa de créditos não começam na fiscalização.

Elas começam na entrada mal classificada, no CFOP errado e na falta de padronização na emissão da nota.

E é exatamente aí que o “furo no estoque” nasce.

Agora vem o ponto de virada: esse risco não é inevitável. Ele é operacional e, portanto, controlável. Com o processo certo (e o ERP certo), o problema vira compliance automático.

O papel do Bloco K no controle de estoque industrial

Explicar que o Bloco K é o “dedo-duro” do estoque. Se a empresa compra como 1102 (revenda), mas consome na produção, o Fisco verá uma inconsistência entre o estoque K200 e o consumo K235, gerando multas por erro de inventário.

O Bloco K não cria o problema, ele revela o erro que começou na entrada.

O Bloco K é, na prática, o “dedo-duro” do estoque industrial. Ele não interpreta, não relativiza e não “entende o contexto”. Ele apenas cruza dados. E, quando os dados não fecham, o erro aparece automaticamente.

Ele cruza, de forma objetiva:

  • K200 → posição de estoque
  • K235 → consumo de insumos na produção

Se a empresa:

  • Compra mercadoria com CFOP 1102 (revenda)
  • Classifica o item como estoque para venda
  • Mas utiliza esse item no processo produtivo

E o sistema mostra exatamente isso:

  • O item aparece no K200 como mercadoria para revenda
  • Mas surge no K235 como insumo consumido

Para o Fisco, isso é uma quebra lógica de inventário.

Essa inconsistência é interpretada como:

  • Erro de classificação fiscal
  • Erro de escrituração de estoque
  • Furo no inventário

E o desfecho costuma ser:

  • Multas por obrigação acessória
  • Exigência de retificação do SPED
  • Questionamentos formais
  • Em alguns casos, glosa de créditos

Se o Bloco K é o dedo-duro, a emissão correta é a forma de não ser denunciado.

Quando a entrada é classificada corretamente com CFOP 1101:

  • O item já entra como +insumo de produção
  • O consumo no K235 é coerente
  • O estoque no K200 fecha
  • O Bloco K deixa de apontar erro

Ou seja, o problema não é o Bloco K,  é o CFOP errado na origem.

No estoque industrial, o erro não fica escondido. Ele aparece no SPED. Quem compra como revenda e consome na produção assina o próprio auto de infração. Quem classifica corretamente transforma o Bloco K em aliado de compliance.

Não deixe de conferir: “CFOP 5101: guia completo da venda de produção do estabelecimento

Reforma Tributária: o que muda para o CFOP 1101 em 2026?

Explicar a transição para o IBS e CBS. Focar na não cumulatividade plena, onde o crédito será garantido em todas as etapas, reduzindo o peso da classificação física para o aproveitamento do tributo.

A partir de 2026, a Reforma Tributária inicia a transição do atual sistema de tributos sobre o consumo para um novo modelo baseado no IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e na CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços).

Essa mudança altera profundamente a lógica de apuração, creditamento e fiscalização, inclusive nas operações classificadas com CFOP 1101.

O código não deixa de existir, mas o peso da sua função muda.

Descubra como é o “Modelo de nota fiscal com IBS e CBS

Impacto da não cumulatividade plena no CFOP 1101

O novo sistema adota a não cumulatividade plena, com crédito financeiro amplo, o que significa que:

  • O imposto pago na entrada gera crédito integral
  • O crédito não depende mais da etapa da cadeia
  • A tributação deixa de ser “em cascata”
  • O tributo passa a ser neutro para a produção

Na prática, isso reduz distorções históricas em que:

  • Um insumo gerava crédito limitado
  • A classificação física impactava o aproveitamento do tributo
  • O imposto acabava virando custo oculto

Com IBS e CBS, o crédito passa a ser um direito estrutural, e não uma exceção interpretativa.

Ainda assim, o CFOP 1101 continuará essencial para controle de estoque, custos industriais e compliance digital.

Leia também: “O que é a não cumulatividade plena da Reforma Tributária?

A tributação no destino muda a apuração de créditos para operações do CFOP 1101?

Não muda a essência do crédito, mas muda a lógica de controle.

Com a tributação no destino do IBS e da CBS, o direito ao crédito nas operações enquadradas no CFOP 1101 permanece preservado, porém passa a ser ainda mais rastreável e automatizado.

Para entradas destinadas à industrialização (CFOP 1101):

  • O crédito do tributo pago na entrada continua garantido
  • A não cumulatividade plena assegura que o imposto não vire custo
  • O crédito independe da etapa da cadeia

Ou seja, o CFOP 1101 segue sendo porta de entrada legítima do crédito.

A mudança está em como o crédito será validado, não no direito ao crédito:

  • O crédito passa a ser apurado e acompanhado nacionalmente
  • cruzamento automático entre entradas, consumo e saídas
  • O sistema busca coerência econômica, não apenas formal

Entradas classificadas como industrialização precisam:

  • Ter consumo compatível no processo produtivo
  • Fechar com estoque e produção
  • Estar alinhadas ao Bloco K

O crédito fica mais fácil, mas o controle fica mais rígido.

Com a tributação no destino:

  • Classificação física pesa menos para existir crédito
  • Coerência digital pesa mais para manter o crédito

Quem classifica como 1101 e consome corretamente não perde crédito.
Quem erra na classificação ou no controle expõe inconsistências.

Não deixe de se atualizar: “Como ficará o crédito de imposto na Reforma Tributária?

A nota fiscal do código 1101 fica diferente com os novos tributos?

A NF-e passará a incluir campos específicos para IBS e CBS, mas o CFOP 1101 continuará sendo o elemento que identifica a finalidade industrial da compra.

Ele seguirá essencial para gestão interna, ERP, estoque e Bloco K.

Conclusão: o CFOP 1101 protege o caixa e prepara sua empresa para 2026

O CFOP 1101 é um dos códigos mais estratégicos da indústria brasileira.

Ele protege o fluxo de caixa, garante o aproveitamento de créditos, evita inconsistências no Bloco K e prepara a empresa para um ambiente tributário mais tecnológico, integrado e rigoroso.

Ignorar sua correta aplicação é comprometer não apenas a conformidade fiscal, mas a competitividade da indústria no médio e longo prazo.

Leia também: “Reforma Tributária e digitalização: como a tecnologia pode ajudar na conformidade

Perguntas frequentes sobre o CFOP 1101

Posso usar o 1101 para compras de uso e consumo?

Não. Bens de uso e consumo não são insumos de industrialização e não devem utilizar o CFOP 1101.

O CFOP 1101 dá direito a crédito de ICMS?

Sim, desde que a operação subsequente seja tributada e respeite a não cumulatividade.

Qual a diferença entre os códigos 1101 e 1102?

O 1101 é para insumos consumidos na industrialização. O 1102 é para mercadorias adquiridas para revenda.

Como a ClickNotas facilita a gestão do CFOP 1101?

Gerir corretamente o CFOP 1101 não é apenas escolher um código na nota de entrada. Envolve classificação fiscal correta, impacto direto em créditos, coerência com o Bloco K e proteção contra multas por erro de inventário. É exatamente nesse ponto que a ClickNotas se diferencia.

Ela não ajuda só a emitir. Ela evita o erro antes que ele vire passivo.

A ClickNotas facilita a gestão do CFOP 1101 porque:

  • Orienta a classificação correta da entrada, evitando uso indevido do 1102
  • Padroniza o enquadramento por tipo de operação, reduzindo erro humano
  • Garante coerência fiscal desde a primeira nota, não só na escrituração

Se o CFOP nasce certo, o Bloco K não acusa erro depois.

Leia também: “Como a nota fiscal impacta seu fluxo de caixa e como usar isso a favor da sua gestão financeira

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