Como emitir Nota Fiscal de Produto (NF-e) durante a transição da Reforma Tributária?

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Em 2026, a NF-e vira mais do que um comprovante de venda. Ela passa a ser a base de dados que sustenta a apuração assistida e, por consequência, a rastreabilidade de créditos e débitos no novo modelo.

Para contadores e advogados de PMEs, a pergunta prática é uma só: como emitir nota fiscal de produto sem travar o faturamento, sem perder a dispensa do recolhimento no ano de testes e sem abrir espaço para multas pesadas?

Este guia responde com foco em três frentes: alíquotas de teste e campos do XML, risco sancionador (inclusive a multa de 18% por infrações materiais) e estratégia para Simples Nacional no B2B.

Quais são as alíquotas de teste e campos obrigatórios da NF-e em 2026?

A orientação oficial para 2026 estabelece que documentos fiscais eletrônicos, incluindo a NF-e, devem ser emitidos com destaque de CBS e IBS conforme leiautes e notas técnicas. O ano é de teste, mas com obrigação acessória real.

O ponto crítico é que 2026 mistura duas camadas.

  • Camada operacional: adequar ERP e emissor ao novo leiaute do XML, com grupos específicos de IBS/CBS/IS e códigos de classificação.
  • Camada jurídica: cumprir a obrigação acessória, porque a dispensa do recolhimento em 2026 está condicionada a essa conformidade.

Se a equipe ainda confere tudo no DANFE, deve-se ajustar a cultura agora. O que vale para fiscalização e crédito é o XML assinado, não a representação impressa.

Uma dica prática para o escritório é criar uma rotina semanal de “higiene fiscal”: revisar rejeições e alertas, validar 10 XMLs aleatórios do mês e registrar as correções de parametrização por versão do emissor.

Confira depois mais detalhes: XML na Reforma Tributária: o que muda? 

Como aplicar as alíquotas de 0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS?

Em 2026, a CBS aparece com alíquota de 0,9% e o IBS com 0,1%. Isso deve ser informado no XML por item e refletido na totalização, respeitando as estruturas criadas pela Nota Técnica de adequação da NF-e.

Na prática, o sucesso depende de três ajustes simples.

  • Base de cálculo coerente: o valor do item e o total precisam conversar.
  • Classificação consistente: cClassTrib e situação tributária não podem ser “padrão de sistema”.
  • Parametrização por regra: alíquotas e enquadramentos devem ser definidos por produto, operação e destino.

O IBS é compartilhado entre estados e municípios e, por isso, o leiaute separa o IBS por ente. Em 2026, o desenho de implementação adotou IBS estadual de 0,1% e IBS municipal igual a zero, o que aparece inclusive em regras de validação planejadas para o período.

Na prática, seu ERP precisa permitir:

  • IBS por UF e IBS por município, mesmo que um deles esteja zerado.
  • Totalização do IBS de forma compatível com o grupo de totais do documento.

Se aprofunde no tema: Como ficam as alíquotas estaduais e municipais com o IBS?

Por que o destaque correto é a única garantia de dispensa do imposto?

O artigo-chave da transição é o 348 da LC 214/2025. Ele deixa claro que a dispensa do recolhimento de IBS e CBS em 2026 existe para quem cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação.

Traduzindo para o dia a dia: a NF-e bem emitida, com IBS/CBS no XML, é a evidência mínima de conformidade. Se o contribuinte não entrega a informação, ele pode perder a proteção financeira do ano de testes.

O que é o compliance informacional exigido no Artigo 348 da LC 214/2025?

É a lógica de que 2026 não é “sem obrigação”. É “sem custo financeiro para quem informar direito”. O compliance informacional, aqui, significa rotinas que garantem que o dado fiscal nasce correto.

No mínimo, isso envolve:

  • Emissão de NF-e com IBS/CBS nos campos e grupos corretos.
  • Cadastros saneados (produto, NCM, códigos e classificações).
  • Armazenamento e rastreabilidade do XML.

Confira na prática: Modelo de nota fiscal com IBS e CBS: o que muda na emissão dos novos tributos.

Como o preenchimento incorreto pode afastar a isenção financeira em 2026?

O problema mais comum não é a ausência total de IBS/CBS. É o preenchimento incoerente, que quebra consistência do XML e dá margem a autuação por descumprimento de obrigação acessória.

Exemplos típicos:

  • Alíquota zerada por regra antiga.
  • Base do item diferente da base do tributo.
  • cClassTrib aplicado por aproximação.

Saiba mais: Como a Reforma Tributária acelera a digitalização das obrigações fiscais.

Como evitar a multa de 18% sobre o valor da operação na emissão?

A multa de 18% é o “susto” de 2026, porque ela não tem relação com o 1% de teste. Ela nasce do regime sancionador de obrigações acessórias.

Para algumas infrações, a lei usa o conceito de tributo de referência. Em 2026, esse tributo de referência é fixado em 6% do valor da operação para CBS e 12% para IBS, totalizando 18%.

Ou seja, mesmo no ano de testes, uma infração material pode custar como ano cheio.

Quais condutas na emissão de notas geram penalidades imediatas?

As condutas de maior risco são as que rompem o trilho documental.

  • Operar com bens ou serviços desacobertados de documento fiscal.
  • Reutilizar documento para acobertar mais de uma circulação.
  • Emitir ou usar documento não idôneo.

A estratégia para PMEs é simples: criar um controle de “zero operação sem documento” e tratar contingência como exceção auditável, com regularização obrigatória.

Veja também: Como evitar multas de IBS e CBS na Reforma Tributária?

Por que a “venda sem nota” custa 6% de CBS e 12% de IBS em 2026?

Porque, para a infração de operar sem documento fiscal, a multa é de 100% do tributo de referência. E, em 2026, o tributo de referência é 6% (CBS) e 12% (IBS) sobre o valor da operação.

Na prática, o escritório precisa deixar isso claro: ano de testes não é ano de tolerância para venda sem nota.

Como a emissão de documento inidôneo pode elevar a multa para 150%?

Além das multas específicas por obrigação acessória, existe a lógica de multa de ofício em casos de sonegação, fraude, simulação ou conluio, com majoração e possibilidade de atingir 150% em hipóteses como reincidência.

Documento inidôneo costuma ser o gatilho que aproxima o caso de um debate sobre fraude. Por isso, é tema que exige governança: regra de emissão, segregação de funções, auditoria e correção rápida.

Leia depois: Parametrização fiscal errada: quais são os riscos financeiros e operacionais na Reforma Tributária.

O que está protegido pela suspensão de multas até abril de 2026?

O início da transição foi desenhado com caráter educativo. Há previsão de período de adaptação sem penalidades por não preenchimento de campos específicos dos novos tributos até um marco ligado à publicação dos regulamentos, frequentemente lido como uma janela que pode chegar a abril.

  • O que isso protege: erros formais de preenchimento ligados aos novos campos.
  • O que isso não protege: omissão de receita, venda sem documento e uso de documento inidôneo.

Como diferenciar o erro formal de preenchimento da omissão de receita?

Erro formal é quando existe operação e NF-e, mas há falha técnica no XML. O caminho é a correção e prevenção.

Omissão de receita é quando a operação não tem documento ou o documento não corresponde à realidade. Aí o risco é material, com penalidade pesada e discussão jurídica mais dura.

Para amarrar isso com exemplos de rotina e erros comuns, um bom reforço interno é: 5 erros na emissão de notas fiscais durante a transição da Reforma Tributária.

Como as empresas do Simples Nacional devem emitir notas no B2B?

Em 2026, as alíquotas de teste de IBS e CBS não se aplicam às operações dos optantes do Simples Nacional.

Ainda assim, no B2B, a Reforma muda o jogo, porque o adquirente passa a comprar olhando para crédito e rastreabilidade do documento fiscal.

Se o fornecedor não consegue transferir crédito de forma competitiva, ele perde negociação, margem e, em alguns casos, o cliente.

Por que o destaque reduzido no DAS pode afastar seus clientes?

O comprador B2B tende a comparar fornecedores pelo “custo líquido” após créditos. Se o adquirente enxerga pouco ou nenhum crédito vindo do fornecedor do Simples, ele pressiona preço ou troca.

Aqui, o contador tem papel estratégico: mapear carteira B2B, simular impacto e antecipar discussão antes da perda acontecer.

Veja depois: Reforma Tributária: vale a pena trocar o regime da empresa? 

Como funciona a opção híbrida para transferir crédito pleno ao adquirente?

A opção híbrida, tratada em materiais de orientação para pequenos negócios, permite que a empresa permaneça no Simples, mas recolha IBS e CBS por fora em determinadas condições, para viabilizar creditamento mais amplo na cadeia.

Na prática, ela exige disciplina.

  • NF-e com informação consistente, porque crédito depende do XML.
  • Escrituração completa e controles mais próximos do regime regular.

Qual o impacto da escrituração completa do IBS e CBS na pequena empresa?

O impacto é operacional. Cadastro e emissão deixam de ser “tarefas do financeiro” e viram parte do compliance.

O ganho é comercial: mais previsibilidade para o adquirente e melhor competitividade no B2B.

Confira também: Escrituração Fiscal: o que muda com a Reforma Tributária?

Como o saneamento do NCM protege a empresa na Apuração Assistida?

No novo modelo, NCM continua sendo ponto de partida. Só que agora ele conversa com cClassTrib, regimes diferenciados e, em alguns casos, Imposto Seletivo.

NCM desatualizado ou genérico vira risco em cadeia: parametrização errada, XML incoerente, crédito comprometido e retrabalho.

Por que o código NCM define a alíquota automática sugerida pelo Fisco?

Porque ERPs e emissores vão usar tabelas para sugerir enquadramentos. Se o NCM estiver errado, o sistema sugere errado, e o erro se replica em volume.

Boa prática para PMEs:

  • Revisar NCM por grupos de produtos.
  • Registrar justificativas quando houver dúvida razoável.

Se aprofunde no tema: Apuração Assistida na Reforma Tributária: como a rastreabilidade fiscal afeta o caixa das empresas?

Como o ERP deve tratar as novas regras de validação da SEFAZ?

A Nota Técnica de adequação da NF-e inclui novos grupos e regras, e o cronograma de validação pode ser gradativo. Resultado: o ERP precisa tratar a emissão como processo, com validação antes do envio.

Três medidas simples evitam travamento:

  • Teste em homologação com amostra real.
  • Envio piloto com lote pequeno.
  • Monitoramento de alertas como incidentes.

O que muda quando o status de “Autorização com Alerta” vira “Rejeição”?

O que muda é o faturamento. O que era aviso vira bloqueio.

Por isso, alerta de IBS/CBS em 2026 deve ser tratado como prioridade de parametrização, não como detalhe para “ver depois”.

Como as novas tags do XML garantem o funcionamento do Split Payment?

Split payment depende de saber, no ato do pagamento, qual parcela é tributo. Essa parcela nasce do XML. Sem tags e totais consistentes, não existe segregação confiável.

Para reforçar essa mudança cultural com o cliente, estes links ajudam: XML na Reforma Tributária: o que muda?

Conclusão: a NF-e como pilar da rastreabilidade e saúde financeira

A transição transforma a NF-e em pilar de rastreabilidade. Quem emite com IBS/CBS no XML, saneia cadastros e trata alertas como incidentes protege faturamento e mantém a dispensa do recolhimento no ano de testes.

Ao mesmo tempo, quem relaxa com emissão pode pagar caro. Em 2026, infrações como operar sem documento fiscal podem ser medidas pelo tributo de referência e chegar a 18% do valor da operação.

O recado final para PMEs é simples: emitir bem é estratégia de caixa e de mercado.

Perguntas frequentes sobre emissão de NF-e na Reforma

1. Ainda devo destacar ICMS e PIS/COFINS na nota fiscal em 2026?

Sim. A transição é gradual. Em 2026, tributos atuais continuam sendo destacados conforme a regra da operação, e IBS/CBS entram como informações do novo modelo no XML.

2. O que acontece se eu preencher a alíquota de IBS ou CBS errada?

Pode haver rejeição quando a validação estiver ativa, além de risco de descumprimento de obrigação acessória, o que afeta a dispensa do recolhimento. Trate como erro crítico e corrija a regra no ERP.

3. O Split Payment já afeta a emissão de notas fiscais neste ano?

Mesmo que a implementação seja progressiva, o split payment depende do dado da NF-e. 2026 é o ano de preparar o XML para não sofrer choque quando a segregação for aplicada.

4. A multa de 1% por erro de classificação fiscal na importação ainda existe?

A LC 227/2026 revogou dispositivos que sustentavam a multa aduaneira de 1% por erros formais ligados à classificação. Ao mesmo tempo, fortaleceu penalidades por obrigações informacionais em importação e exportação.

5. Como o certificado digital garante a validade da minha NF-e em 2026?

A NF-e tem validade porque o XML é assinado digitalmente. A assinatura garante autenticidade e integridade. Por isso, armazenamento do XML e gestão de certificados continuam sendo ponto de controle obrigatório.

Rafael Pousas

Rafael Pousas é Contador e Especialista em Consultoria Tributária, formado em Ciências Contábeis pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atua na área tributária com foco em oferecer soluções seguras e eficientes para empresas, garantindo conformidade legal e apoio estratégico na gestão fiscal.

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